sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

UFOP mantém calendário acadêmico durante greve de servidores após decisão do Conselho Universitário

Proposta de suspensão foi rejeitada em reunião extraordinária realizada nesta quarta-feira

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org
SAMARCO - AGOSTO

A Universidade Federal de Ouro Preto decidiu manter o calendário acadêmico em vigor durante a greve dos servidores técnico-administrativos. A decisão foi tomada na quarta-feira, 1º de abril, durante reunião extraordinária do Conselho Universitário, após análise de proposta apresentada pelo comando local de greve.

Logo no início da sessão, os conselheiros aprovaram a inclusão do tema na pauta. Em seguida, foi aberto espaço para manifestações de representantes dos técnicos-administrativos, docentes e estudantes, que apresentaram diferentes pontos de vista sobre os impactos da paralisação.

Durante o debate, foram destacados efeitos da greve na rotina acadêmica e na permanência dos estudantes nas cidades onde estão localizados os campi da instituição. Entre os pontos mencionados, estiveram custos com moradia, alimentação e deslocamento, além das possíveis consequências de uma eventual suspensão das atividades de ensino.

Ao final da discussão, o Conselho Universitário deliberou pela manutenção do calendário acadêmico. Com isso, as atividades seguem conforme o cronograma previsto, mesmo com a continuidade do movimento grevista.

Medidas aprovadas pelo Conselho

Além da decisão sobre o calendário, o conselho aprovou a criação de uma comissão para elaborar um ofício institucional a ser encaminhado ao Ministério da Educação e ao Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos. O documento deve tratar das demandas apresentadas pela categoria em greve.

Outra medida prevê a orientação ao corpo docente para que sejam realizados debates em sala de aula sobre o movimento. A proposta busca ampliar a discussão sobre a paralisação no ambiente acadêmico.

Proposta de suspensão partiu do comando de greve

A possibilidade de interrupção do calendário havia sido solicitada pelo Comando Local de Greve, que defendia a medida como estratégia para fortalecer o movimento e ampliar o poder de negociação junto ao governo federal.

Caso fosse aprovada, a suspensão implicaria na paralisação das atividades acadêmicas em todos os campi da universidade, incluindo Ouro Preto, Mariana e João Monlevade.

Contexto da greve na universidade

A greve dos servidores técnico-administrativos da UFOP teve início no dia 2 de março, após aprovação em assembleia realizada em 23 de fevereiro. O movimento ocorre em meio a reivindicações relacionadas ao cumprimento de acordos firmados com o governo federal em 2024.

Entre os principais pontos está o Reconhecimento de Saberes e Competências, mecanismo que permite progressão na carreira com base em qualificações adquiridas fora da formação formal. Segundo o sindicato, o texto encaminhado pelo governo ao Congresso diverge do que havia sido acordado.

A categoria também reivindica redução da jornada de trabalho para 30 horas semanais, avanços nas progressões, reposicionamento de aposentados, realização de concursos públicos e mudanças na gestão das instituições federais.

Atividades seguem com serviços essenciais mantidos

Mesmo com a greve, parte das atividades administrativas e acadêmicas continua sendo realizada para evitar prejuízos institucionais. Entre os serviços considerados essenciais estão o funcionamento dos conselhos, a gestão de contratos, a realização de concursos e a manutenção de pesquisas que exigem acompanhamento contínuo.

A orientação é que apenas atividades cuja interrupção possa causar danos permanentes à universidade ou riscos a pessoas e animais sejam mantidas.

Com a decisão do Conselho Universitário, a UFOP mantém o funcionamento das atividades acadêmicas e define novas ações institucionais relacionadas ao movimento grevista.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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