sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

Após denúncias de ataques, Prefeitura comenta situação de cães na Praça Tiradentes

Problema recorrente no Centro Histórico expõe desafios para conciliar bem-estar animal e segurança da população.

Foto de Carlos Daniel
SAMARCO - AGOSTO

A presença de cães em situação de rua na Praça Tiradentes, um dos principais cartões-postais de Ouro Preto, tem gerado preocupação entre moradores, comerciantes e visitantes. Segundo denúncias encaminhadas à imprensa, alguns animais estariam apresentando comportamentos agressivos e avançando contra pedestres que passam pelo local.

Diante dos relatos, a Prefeitura de Ouro Preto informou que acompanha a questão e destacou que o abandono de animais continua sendo um dos principais desafios enfrentados pelo município. A prática é considerada crime ambiental pela legislação federal e prevê penalidades para os responsáveis.

De acordo com a administração municipal, parte dos animais encontrados nas ruas passa a ser enquadrada como cães comunitários, quando recebem cuidados da população e permanecem nos espaços públicos. Apesar disso, novos casos de abandono continuam sendo registrados, o que dificulta o controle da população de animais nas vias da cidade.

Como forma de enfrentamento ao problema, o município informou que mantém programas permanentes de castração e identificação por microchip, além de desenvolver ações em parceria com entidades ligadas à causa animal que integram o Conselho Municipal de Proteção e Defesa Animal.

A Prefeitura também destacou a atuação do Centro de Acolhimento Transitório de Animais (CATA), responsável pelo acolhimento de animais em situações específicas. Segundo o Executivo, está em andamento o processo de contratação de um serviço voltado ao atendimento veterinário de urgência e emergência para animais em situação de rua, e também para aqueles pertencentes a famílias de baixa renda.

Outro ponto abordado foi o entendimento recente do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a responsabilidade dos municípios na proteção de animais abandonados. A decisão foi tomada durante o julgamento de uma ação envolvendo o Ministério Público de São Paulo e a Prefeitura de Catanduva (SP) e reforçou que o Poder Judiciário pode determinar a adoção de medidas pelo poder público quando houver obrigação legal de garantir a proteção animal.

A Prefeitura esclareceu, entretanto, que a decisão não estabelece a obrigatoriedade de todos os municípios manterem estruturas como canis ou gatis públicos. Segundo a instituição pública, a aplicação do entendimento depende das características de cada cidade e das circunstâncias analisadas em cada caso concreto.

Por fim, a Prefeitura informou que mantém diálogo com o Poder Judiciário e com organizações de proteção animal para ampliar e fortalecer as políticas públicas destinadas ao atendimento dos animais abandonados e à prevenção de novos casos de abandono.

Sobre o autor Carlos Daniel

Natural de Mariana (MG), jornalista formado pela Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) e apaixonado por futebol. Atua com reportagem, produção audiovisual e criação de conteúdo.

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