sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

Vale demite vice-presidente global de RH após polêmica com críticas à cultura “woke”

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org
SAMARCO - AGOSTO

A Vale demitiu nesta semana a executiva Catia Porto, que ocupava a vice-presidência global de Recursos Humanos desde novembro de 2024. A saída ocorre após a repercussão de declarações feitas pela gestora nas redes sociais em fevereiro deste ano, quando afirmou que a cultura “woke” estaria “perdendo espaço” nas empresas.

Na ocasião, Porto publicou em sua conta no Instagram que, em oposição às políticas de Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI), estaria surgindo um novo movimento corporativo que chamou de “MEI” — sigla para Mérito, Excelência e Inteligência. Segundo ela, esse conceito valorizaria desempenho e habilidades intelectuais acima de critérios ligados à representatividade.

As declarações, feitas ao comentar um artigo do Wall Street Journal, foram amplamente criticadas por associarem diversidade a perda de relevância.

Reação da Vale

Após a polêmica, a mineradora emitiu nota pública reafirmando seu compromisso com diversidade e inclusão, apontadas como fundamentais para a inovação e para os resultados de longo prazo da companhia.

A saída de Porto não foi registrada como fato relevante junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), já que o cargo de vice-presidente de RH não é estatutário. A Vale apenas confirmou a demissão e retirou o nome da executiva de seu site institucional.

O que é cultura “woke”

O termo “woke” vem do inglês e significa, literalmente, “acordado”. Surgiu nos Estados Unidos e passou a designar pessoas e movimentos atentos a questões sociais, raciais e de gênero, defendendo práticas mais inclusivas e igualitárias.

Na esfera corporativa, o conceito passou a ser usado para identificar políticas de diversidade, equidade e inclusão, mas também recebeu críticas de setores que consideram tais iniciativas excessivas ou ideologizadas.

Como a Vale escolhe seus vice-presidentes

Na estrutura da Vale, os cargos de vice-presidência executiva podem ser de duas naturezas: estatutários e não estatutários. Os primeiros, ligados diretamente ao Conselho de Administração, precisam ser comunicados à CVM em caso de alteração. Já os segundos, de caráter executivo, são escolhidos diretamente pelo CEO da companhia, que avalia experiência, histórico profissional e alinhamento às estratégias corporativas.

A área de Recursos Humanos, por exemplo, se enquadra nessa segunda categoria. Assim, a nomeação e a saída de executivos como Catia Porto ficam restritas a decisões internas, sem obrigatoriedade de registro público.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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