sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

Escalada da violência no Sudão provoca êxodo de 200 mil pessoas em Cordofão

Sob frequentes ataques de drones, cidade de El-Obeid enfrenta colapso do abastecimento de água e energia; situação agrava crise humanitária na região e acelera fuga de civis. |

Foto de ONU News
onunews@maisminas.org
SAMARCO - AGOSTO

Mais de 200 mil sudaneses foram recentemente deslocados na região de Cordofão, com o agravamento dos confrontos que acontece desde o final do ano passado. 

A Organização Internacional para Migrações, OIM, alertou que ataques de drones têm visado a infraestrutura essencial de água e eletricidade na cidade de el-Obeid, a maior da região de Sheikan, agravando o colapso humanitário.

Ataques à infraestrutura e cerco a El-Obeid

O total de deslocados aumentou 25% nos últimos oito meses. Ataques com drones atribuídos às Forças de Apoio Rápido, RSF, que combatem o Exército Sudanês, atingiram a principal subestação elétrica da cidade.

A situação cortou a energia necessária para bombear água, manter hospitais em funcionamento e fazer operar redes de comunicação.

Em meio a um dos cercos mais longos da guerra, el-Obeid viu sua população passar de 750 mil habitantes para cerca de 3,4 milhões. Entidades humanitárias estimam que 39 mil crianças chegaram à cidade no primeiro semestre deste ano.

Resposta humanitária e o impacto das inundações

Mesmo com o cenário desafiador, foi reaberta uma rota de suprimentos que esta semana permitiu à OIM entregar 1.750 toneladas de ajuda, incluindo 17.750 kits de higiene e 850 tendas, em benefício a 110.750 pessoas. 

A meta da comunidade de auxílio é alcançar mais de 400 mil vítimas nos próximos dias, embora a queda no financiamento coloque em risco a continuidade das operações.

A crise é agravada por inundações sazonais no estado de Darfur do Norte, onde chuvas intensas danificaram 1.350 casas e deslocaram mais de 1 mil famílias em Tawila. Mais deslocamentos foram registrados no estado do Nilo Azul e em Darfur Ocidental. Só em agosto, mais de 86 mil sudaneses já foram deslocados.

Dimensão da crise sudanesa

Segundo a diretora-geral da OIM, Amy Pope, o Sudão vive uma das maiores crises de deslocamento do mundo. O impacto combinado do conflito, dos danos à infraestrutura e das inundações leva milhares de famílias ao limite.

Estima-se que desde o início da guerra em 2023 o conflito deixou ao menos 59 mil mortos e 14 milhões de deslocados. Pelo menos 8,6 milhões estão em outras áreas do Sudão e 4,2 milhões optaram por se refugiar em países vizinhos. 

Atualmente, cerca de 33,7 milhões de pessoas necessitam de assistência humanitária urgente no país africano.

Fonte: ONU News

Sobre o autor ONU News

A ONU News é o serviço de notícias das Nações Unidas, com cobertura sobre acontecimentos internacionais e temas como paz e segurança, direitos humanos, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável, saúde e assuntos humanitários.

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