sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

Lista exibida no Fantástico era de alvos de mineradores ilegais, não de cúmplices

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org
SAMARCO - AGOSTO

A reportagem exibida pelo programa Fantástico, no último domingo (21), detalhou um esquema de mineração ilegal em Minas Gerais com envolvimento de servidores públicos e empresários. Durante a investigação, a Polícia Federal encontrou documentos e mensagens que revelavam a forma de atuação do grupo criminoso.

Contudo, um ponto da matéria gerou interpretações equivocadas: a lista apresentada na TV não é composta por pessoas diretamente envolvidas no esquema, mas sim por alvos que os criminosos pretendiam cooptar. O material apreendido mostra que políticos, servidores e especialistas em mineração estavam sob monitoramento do grupo porque, para expandir os negócios ilegais, os operadores buscavam influenciar ou corromper autoridades estratégicas.

Manipulação política da lista

Após a divulgação, nomes citados no material passaram a circular em redes sociais e em discursos políticos como se fossem de investigados ou cúmplices. Essa interpretação, porém, não corresponde à realidade. O que a Polícia Federal destacou é que essas pessoas estavam na mira dos criminosos, e não entre os integrantes da organização.

A reportagem mostrou que o esquema funcionava a partir da corrupção de agentes públicos em troca de licenças ambientais irregulares. Com isso, a extração ilegal de minério acontecia em áreas protegidas, gerando prejuízos ambientais e sociais para comunidades locais, como a de Botafogo, em Ouro Preto, onde famílias relatam a redução da oferta de água e a destruição de cavernas históricas.

Estrutura do esquema

De acordo com a PF, a quadrilha era comandada por Alain Cavalcante do Nascimento, Élder Adriano de Freitas e João Alberto Paixão Lages, ex-deputado estadual. Eles obtinham vantagens financeiras por meio da compra de licenças, contratos irregulares e influência sobre órgãos públicos. Parte do dinheiro era usada em bens de luxo, como imóveis, carros importados e vinhos avaliados em até R$ 25 mil.

As investigações apontam que servidores públicos, incluindo nomes ligados à Agência Nacional de Mineração e à Fundação Estadual de Meio Ambiente (FEAM), também foram presos por facilitar operações ilegais. O grupo chegou a movimentar bilhões de reais com a exploração irregular, segundo a Polícia Federal.

Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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