sexta-feira, 28 de agosto de 2026Jornalismo independente de Minas Gerais
CÂMARA DE MARIANA

Oito rótulos da Backer foram identificados com contaminação que teria sido feita pela fornecedora da cervejaria

Foto de Rodolpho Bohrer
comunicacao@maisminas.org
SAMARCO - AGOSTO

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou, nesta quinta-feira (16), que a Backer foi sabotada por um de seus fornecedores, e já cumpre mandado de busca e apreensão em uma distribuidora que fornece o monoetilenoglicol para a cervejaria. A empresa acusada fica em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte.

A perícia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) encontrou substâncias tóxicas monoetilenoglicol e dietilenoglicol na água usada na produção da cervejaria Backer.

Além disso, um ex-funcionário do fornecedor da Backer esteve com a polícia e deu detalhes sobre o processo de fornecimento, mostrando até filmagens. Ele trabalhou dez meses nessa empresa e mostrou provas de que o monodietilenoglicol era misturado ao dietilenoglicol para ficar mais barato. E ainda, trocou rótulos para camuflar a irregularidade.

A suspeita é de que outros rótulos da empresa possam estar contaminados além da cerveja Belorizontina, que já foi responsável pela intoxicação de, pelo o menos, 18 pessoas com a síndrome nefroneural e três óbitos.

Até o momento, o Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento identificou as susbstâncias dietilenoglicol e monoetilenoglicol em oito rótulos produzidos pela cervejaria Backer, de Belo Horizonte.

De acordo com o mapa, são 21 lotes contaminados no total, sendo que um deles foi usado para produzir dois rótulos. Além da Belorizontina, a cerveja Capixaba, que é distribuída no Espírito Santo, também teve identificação de substâncias tóxicas, assim como outras cinco: Capitão Senra, Pele Vermelha, Fargo 46, Backer Pilsen, Brown e Backer D2.

Até o momento 18 notificações da doença estão sendo investigadas em Belo Horizonte e em outras cinco cidades do estado de Minas Gerais. De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES), 12 notificações são na capital e as outras seis em Nova Lima, São João Del Rei, São Lourenço, Ubá e Viçosa.
Sobre o autor Rodolpho Bohrer

Sócio-proprietário e fundador do Mais Minas e jornalista em formação pela Universidade Federal do Sul da Bahia (UFSB). Redator de cidades, tecnologia e política, além de link builder na Agência MaisPost. Em 2026, foi um dos repórteres vencedores do prêmio estadual "Tributação e Justiça Social", promovido pelo Sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Estado da Bahia (SINJORBA).

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